[Sumário]
As formas elementares da vida religiosa, para Durkheim, são a crença e o rito, ou: a representação coletiva de a prática concreta que lhe corresponde. As formas elementares da vida eletrônica seriam os valores neoliberais (concorrência generalizada, empreendedorismo, individualismo) e os circuitos eletrônicos que lhes correspondem.
A crença no valor intrínseco ao empreendedorismo corresponde ao uso de smartphones, como a crença em deuses corresponde aos rituais. A correspondência é alagmática: valores sociais são relacionados a valores tecnológicos e empíricos por meio de uma operação analógica.
Toda a vida eletrônica é baseada no acúmulo artificial de cargas elétricas em componentes específicos, para posterior descarga controlada. Esse acúmulo artificial de cargas elétricas era conhecido desde a antiguidade, na forma da eletricidade estática: quando elétrons são expulsos de um material, que então passa a atrair elétrons do entorno, movimentando objetos leves e gerando faíscas. Mas começou a ser cientificamente investigado e dominado no século XVIII, quando a garrafa de Leyden tornou possível “engarrafar” eletricidade.
A vida vivida na forma de padrões eletromagnéticos
Durkheim: crença e rito
Eletrônica: tecnociência e lucro.