Santiago blues

Nunca chover

Sentar a mão na buzina

Ladrões de celular no metrô

Americanização generalizada

Agapantos por todos os lados

Buzina, buzina, buzina, buzina

Ar seco, calor, frio, vento e poeira

Grosseria generalizada das pessoas

Brasileiros e perros em todos os lugares

Poucas pessoas negras, geralmente pobres

Postes de luz como úteros de ponta-cabeça

O asfalto mais concreto que já vi na minha vida

Cheiros desconhecidos (bons) de flores e plantas na rua

Carros pressionando pedestres nas esquinas e cruzamentos

Marola permanente na rua gerando eterna e crescente fissura

Minimercados em todos os lugares (até mais de 10 por quarteirão)

Funcionários de limpeza abanando violentamente o chão ainda úmido

Sirenes de carros de bombeiros correndo para apagar incêndios florestais

Fechaduras, maçanetas e gavetas sempre abaixo da minha linha da cintura

Adolescentes hiper-produzidos, do mais gótico-metal ao mais hippie contemporâneo

Tropeços constantes (e algumas quedas) nas irregularidades e obstáculos na calçada

Preconceito/caretas das pessoas quando percebem que jo no hablo bien el idioma del colonizador

Seguranças hiper-equipados e mal encarados nos mais ínfimos estabelecimentos comerciais

Uma sociedade clivada entre pessoas com traços indígenas pobres e pessoas com traços europeus ricas

Nativos deitados de barriga para baixo, e casais se engalfinhando deitados, na grama de espaços públicos

Absolutamente nada custa menos do que 100 unidades da moeda local (o normal é as coisas custarem mais de mil pesos chilenos).

Postes sobrecarregados por fios e cabos por todos os tipos, precisando ser apoiados por suportes de concreto, ferro e aço, que muitas vezes têm mais massa do que os próprios postes que ajudam a manter em pé

Revistas extremamente machistas do Condorcito em todas as bancas de revistas e livrarias, dando a impressão de um eterno presente onde parece que, não importa se é 2026 ou 1966, tudo passa por um “¡reflauta!” termina em “¡PLOP!”.

07/01 a 31/01/2026